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Transformação na cultura brasileira explicada pelo rádio


Acervo Centro de Memória Bunge

Centro de Memória Bunge, importante acervo da memória empresarial do Brasil, reúne mais de 900 arquivos de áudio recuperados

Contar a história do rádio é também contar a história do Brasil no século XX. Não à toa a primeira transmissão no país foi um marco. No dia 7 de setembro de 1922, em comemoração aos 100 anos da Independência, o então presidente Epitácio Pessoa fez um pronunciamento que inaugurou a tecnologia de radiodifusão no território brasileiro.

Roquette Pinto, atento às novidades relativas a radioeletricidade para fins fisiológicos, se encantou com a nova forma de comunicação e influenciou para que a Academia Brasileira de Ciências investisse na tecnologia. No ano seguinte, ele fundou a primeira rádio brasileira, chamada Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Por sua importância neste processo de desenvolvimento, Roquette Pinto ganhou a alcunha de “Pai do Rádio Brasileiro”. O médico nasceu em 25 de setembro de 1884, e essa data passou a ser considerada o “Dia do Rádio”.

A popularização das ondas veio uma década depois da inauguração da rádio difusão. A partir de 1932, o presidente Getúlio Vargas permitiu inserções publicitárias nas transmissões e passou a olhar o rádio como um meio de comunicação de massa, uma forma de falar diretamente com a população. Em 1935, nasce então “A Voz do Brasil”, chamada à época de “Programa Nacional” e que servia como propaganda das ações do governo.

Novos elementos foram se adaptando a esse formato ao longo dos anos como jornalismo, transmissões esportivas, radionovelas e programas musicais, que foram vitais para a popularização da música brasileira. Ainda hoje o rádio tem sua importância nas casas de todo o Brasil. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) que abordou o tema, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que cerca de 30% dos brasileiros disseram ouvir rádio todos os dias.

Para manter essa história viva, o Centro de Memória Bunge reúne mais de 900 arquivos de áudio recuperados. As vozes de Dolores Duran, Dircinha Batista, Elizeth Cardoso e Linda Batista, conhecidas como as rainhas do rádio brasileiro, entoam campanhas publicitárias de marcas de margarina e óleo vegetal vendidas na época. Trata-se de um dos mais ricos acervos de memória empresarial do Brasil.

Entre os destaques do Centro de Memória Bunge também está uma marchinha de carnaval para vender sabão, criada por Miguel Gustavo, famoso compositor de jingles da década de 50 e autor da canção “Pra Frente Brasil”, feita de forma ufanista para homenagear a seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo de 1970, no México.

O Centro de Memória Bunge reconta os mais de 100 anos da Bunge no Brasil, a história da propaganda, da industrialização, do agronegócio e da navegação no país. Todo acervo está disponível para consulta e visitação, mediante agendamento.

Centro de Memória Bunge

O Centro foi criado em 1994 e desde então é um dos projetos da Fundação Bunge. Referência na área de preservação da memória empresarial, o local tem como objetivo a guarda e preservação de documentação histórica, a disseminação do conhecimento e a utilização de seu acervo como um instrumento estratégico de gestão.

Acervo do Centro de Memória Bunge

Para facilitar o acesso ao público e compartilhar com a sociedade o aprendizado construído, o CMB disponibiliza seu acervo online e conta com atividades gratuitas como Atendimento a Pesquisas, Exposições Temáticas, Visitas Técnicas e Benchmarking. Além disso, promove as Jornadas Culturais, série de palestras e oficinas gratuitas com objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação de acervos históricos e patrimoniais.

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