Set Expo 2019

Se não podemos vencer a internet, que nos juntemos a ela


Rádio se une cada vez mais com a internet para se manter competitivo com a televisão e os serviços audiovisuais

O desafio  de manter o rádio como um meio de comunicação competitivo foi tema de um dia inteiro de discussões durante o SET EXPO 2019, realizado em agosto, em São Paulo. Diante de uma sala lotada, quatro painéis explicaram, nas mais diferentes abordagens, as maneiras de sobrevivência que o Rádio encontrou e vem se renovando para se manter competitivo junto com a internet.

“O Rádio não perece, ele permanece”,  considerou o moderador do primeiro painel, Eduardo Cappia, atualmente Diretor da EMC e membro do Conselho Deliberativo da SET.

Na ponta da discussão, a evolução que o Rádio sofreu nas últimas décadas. “Há cerca de seis anos investimos na plataforma de vídeo e levamos o Rádio para lá. Queríamos colocar nosso ouvinte mais perto, dentro do estúdio. Depois, passamos a trabalhar no quê apresentar para o internauta, com a mesma qualidade que entregávamos para o ouvinte na Rádio”, contou o Diretor da Rede Jovem Pan News, Carlos Aros.

Ele explica que hoje alguns produtos são somente digitais, mas a importância do Rádio é aproveitar a oportunidade de  se conectar com o ouvinte por onde ele quiser ouvir, inclusive pela internet.

A Jovem Pan aproveitou a oportunidade e anunciou no evento as criação do Panflix, plataforma de vídeos digitais on demand, que funcionarão como uma espécie de Netflix do Rádio, na qual o ouvinte terá sua própria home page e poderá buscar os assuntos que quer ouvir em determinado programa.

Marco Moretto , Diretor da Rádio Hot107 FM, contextualizou a importância da qualidade do conteúdo audiovisual oferecido pelos novos modelos de Rádio, “para que ele não se torne o novo aparelho de fax”, brincou.  Ele usou o tempo para explicar o que chamou de “Rádio 360º”, “criei o termo porque,  na minha concepção, o ouvinte busca se entreter ao assistir ao programa de Rádio e não importa por onde ele acessa. O que ele quer são conteúdos e sinais bons”, disse.

Para isso, citou três fontes de investimento que considera fundamentais para que isso aconteça: a cobertura por 5G, que pretende ser implantada no ano que vem e deve atender a trilhões de dispositivos; a internet das coisas, que pode mudar tudo que conhecemos de audiovisual. “As emissoras que conseguirem abordar essa tecnologia irão se sobressair”, explicou. E a terceira, a inteligência artificial, que permite as smart speakers. “O ouvinte agora é usuário de uma tecnologia inteligente, então somente quem se torna uma verdadeira empresa, e não apenas fornecedor de conteúdo, pode competir de igual para igual. Se não podemos competir com a internet, que nos juntemos a ela”, explicou.

Audio Speakers

Um território recém explorado pelas rádios são as smart speakers, as caixinhas de som inteligentes, que passam a acessar Rádio por comando de voz. A Alexa é o principal representante da tecnologia, e agora o Google Home começa a figurar no mercado.

Para o representante internacional no painel, Skip Pizzi (Vice-presidente de Educação Tecnológica e Outreach da NAB), esses dispositivos podem se tornar o novo rádio de mesa.  “Quando vemos o numero de pessoas usando-o como Rádio, percebemos que 25% ouvem musica e 15% ouvem notícias”, disse.

A maneira de acesso também é variada, conforme necessidade do usuário.  “Hoje ela pode ser acessado pelo computador ou celular. É uma opção muito conveniente porque você dá o comando de voz e começa a ouvir o Rádio de onde estiver”, afirmou. Pizzi demonstrou ainda, por meio de gráficos e dados apresentados anteriormente na NAB 2019, que a modalidade está dando certo e vem se difundindo para o resto do mundo, principalmente pelo baixo custo que o veículo tem em se manter no streaming.

Outras opções para o Rádio estão no rádio híbrido, mas o modelo ainda precisa se ajustar para baratear o custo para o consumidor final como tem sido feito no Canadá, por exemplo. “O sistema digital está sendo adotado pelas emissoras e consumidores em seus carros automotivos. Temos que trabalhar muito próximo das empresas automotivas para ter esse desafio funcionando conforme o esperado”, afirmou.

O moderador do painel, Eduardo Cappia, levantou no painel a questão de o consumo do Rádio pelos dispositivos digitais, e explicou que  hoje o usuário recebe metadados com informações sobre o som ou a parogramação que está ouvindo. ‘Essa é uma informação que queremos adicionar no radio FM analógico”, ponderou.

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