Set Expo 2019

Painel avalia o Conflito da Recepção no Dial Rádio


O segundo painel do dia do Rádio no SET EXPO 2019, em São Paulo, trouxe o debate sobre o conflito da recepção no dial Rádio. Foram discutidas as alterações no Regulamento de Radiodifusão como proposto pela Consulta Pública Anatel N. 24 de 2019, sobre como conciliar o aumento de canais no Ar com menos interferência, mantendo a viabilidade econômica das emissoras.

“Se por um lado pode-se acomodar muito mais emissoras, por outro como não ‘incomodar’ as atuais existentes? Área rural e regiões mais distantes dos centros urbanos podem se transformar em área de conflito receptivo”, avaliou o moderador Claudio Lorini, Diretor da Lorini Engenharia.

Lorini contextualiza que a resposta ainda não pode ser tão precisa porque nunca antes da Lei houve um estudo mais detalhado para saber se as proteções existentes podem ser alteradas e o que pode ser feito para atender à demanda de migração do AM pro FM.

“Acreditamos que a solução não é a criação de uma infinidade de canais, mas sim que a faixa estendida seja adequada par atender às demandas”, analisa.

Basicamente, o que é usado para a criação da Lei é um estudo desenvolvido pela CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), aliada à situação de que, nos últimos 20 anos, não se fabricou novos receptores de rádio no Brasil. E com o lançamento de novos receptores, os PLL que usam DSP para a parte digital facilitaram e eliminaram o batimento de FM.

Marcus Aurélio Ribeiro Manhães, pesquisador CPqD, apresentou resultados de testes realizados nos últimos anos com receptores, a eficácia de cada um deles e suas interferências. Defendeu a flexibilização das relações de proteção e um maior rigor na fiscalização por parte da Anatel.

Manhães chamou a atenção para a alteração na faixa do limiar estendido, de 20 para 54, por exemplo. “Temos que pensar nisso. Quando o difusor quer melhorar o sinal, aumenta a potência e aí aumenta o ruído na faixa. Podemos mudar o alcance do limiar protegido e dar o controle estendido para a emissora. Emissoras de grande potência são naturalmente interferentes, por isso precisamos de um controle adicional de proteção”, sustentou.

Como sugestão sugeriu maior rigidez por parte da Anatel em fiscalização na política de certificação do fabricante. A idéia é que os produtos possam ser auditados freqüentemente, de modo a dar tranqüilidade aos projetos técnicos.

Paulo Eduardo dos Reis Cardoso, Coordenador de Administração de Planos Básicos de Radiodifusão e Gerência de Espectro, Orbita e Radiodifusão – ORER, foi categórico ao explicar que “não é porque muda o valor da tabela que vão ocorrer interferências”, e pediu que se projete para que a energia do transmissor seja entregue num sistema irradiante mais próximo da realidade.

Quanto a interferências, acredita ser necessário verificar o atendimento do contorno interferente na relação com o contorno protetivo. “Não é simples escrever um regulamento, tem que ter muito debate sobre o assunto”, alegou.

Por fim, apresentou duas simulações de estação, com ganho de 75 e 53 respectivamente, alterando de 42 para 32 Db. “Hoje um canal em Ribeirão Preto inviabiliza um canal aqui em São Paulo. Com a nova proposta isso não aconteceria. Temos que zerar essas distancias”, afirmou.

Sugeriu ainda outro impacto, em relação ao planejamento, e mostrou uma simulação com espectro limpo no qual se pulariam dois canais pra ter a viabilidade, gerando um total de 33 canais de FM sem interferência. “Ou ainda, eliminar o segundo adjacente e FI, chegando a 79 fms”, avaliou.

O Diretor de Rádio da ABERT, Andre Ulhoa Cintra, levantou a questão de a modificação do regulamento das FMs não irá, de fato, resolver a questão da migração. Conforme dados apresentados por ele, existe uma grande quantidade de canais vagos, cerca de 3 mil.

Dos 1660 pedidos de migração, 1246 foram atendidos,  414 estão inviáveis em estudo, e as que aceitaram em reduzir a potência são 1246. Há 2240 canais vagos e 486 solicitações. 558 são vagos de Plano Nacional de outorga de Educativos. Ele conta que, na lista do Ministério, é possível alterar a natureza deste canal, mas 273 estão em licitação e não podem ser mexidos. “Ou seja, você deixa de viabilizar porque são canais de licitação. Só que não têm nem vencedor de licitação. Não existe justificativa para não poder alterar um canal de licitação”, contemporiza.

“Nosso desejo é que houvesse uma revisão por parte do Ministério para que esse canais tanto quanto os de PNO tenham a liberdade de ser alterados”, argumentou o executivo. Por fim, explicou que a consulta Pública é fundamental para resolver todos os canais de migração. “Mas ainda assim, acho que vamos conseguir ter todos os canais solicitados migrados”, afirmou.

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