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É hora de pensar e construir a programação digital: Nasce o Progcasting


Edu Parez do Kiss Rockcast analisa o mercado de rádio brasileiro

Radialista, produtor e apresentador do Kiss Rockcast todas as tardes na KISS FM, Edu Parez, começou a explorar as vantagens do acesso a emissoras de rádio pela Internet no final da década de 1990, quando estava trabalhando em Lisboa, Portugal, como um dos locutores brasileiros da Rádio Cidade FM (https://cidade.iol.pt/ ), com uma programação baseada na Rádio Cidade de São Paulo.  “Os portugueses adoravam a disposição dos brasileiros em fazer rádio, com alegria. Do modo como fazemos a locução. Então, sempre tinha emprego para brasileiros lá”, conta ele.

Como estava longe do Brasil, para manter conexão com o seu país, Edu Parez ouvia a Jovem Pan (https://jovempan.com.br/ ), que na época, era a principal rádio com forte presença na Internet, afirma o radialista.

Mas foi na passagem pela Rádio Levi’s (da tradicional fabricante de jeans – https://www.levistrauss.com/tag/radio/), onde foi diretor artístico e de entretenimento para Brasil e América Latina – que durou de 2007 a 2014 – que ele aprendeu em detalhes a lidar com o digital e, hoje, nos conta como esta experiência moldou sua visão sobre as “oportunidades que o digital pode oferecer”, afirma ele.

Rádio Levi’s: a gestão do conteúdo é tudo

Depois de Portugal, em 2000, Edu Parez volta a São Paulo e vai trabalhar na produção da Rádio Capital (https://www.capitalcomvoce.com.br/ ).  Em 2002 inicia a sua faculdade de Rádio e TV na Cásper Líbero e passa a atuar na Gazeta AM (https://www.radiogazetaonline.com.br/ ) como monitor e produtor. No mesmo ano vai para a KISS FM (http://www.kissfm.com.br/ ) como locutor e programador musical.

Em 2007 foi professor de produção e programação musical no SENAC da Lapa e se aventurou na criação de uma rede Food Trucks (QJ Grilled Cheese Food Truck – https://www.hypeness.com.br/2016/11/food-truck-faz-sucesso-em-sao-paulo-refinando-o-bom-e-velho-queijo-quente/ ), até que surge uma grande oportunidade que ele não deixa escapar: chefiar a diretoria artística e de entretenimento da Rádio Levi’s Straus (https://www.levistrauss.com/tag/radio/ ), tradicional fabricante de jeans. Seu primeiro projeto digital e que vai moldar a sua cultura no ambiente tecnológico.

 “A Levi’s é uma empresa com mais de 160 anos, com uma cultura muito bacana. O projeto envolvia a programação e eventos. Fazíamos a curadoria musical para trazer bandas para shows no Brasil e América Latina. Foi um período muito bom, com ótimos resultados e chegamos a ter quatro web rádios no continente: Brasil, Colômbia, Venezuela, Chile, além de rádio store (no ambiente nas lojas). Tudo era feito a partir de um estúdio em São Paulo, muito profissional com todos os equipamentos de alta qualidade e tudo mais”.

É na Rádio Levi’s que Edu Parez desenvolveu uma expertise na gestão de conteúdo para o digital. Ele mesmo tinha um programa diário ao vivo com entrevistas com as bandas independente nacionais, e todo o conteúdo da programação era dos blogs de música, moda e comportamento. “Na época, os influenciadores eram os blogueiros – e hoje são os youtubers. A gente fazia acordos com este pessoal e garantia uma programação envolvendo conteúdo exclusivo para os ouvintes. Esta é a receita para hoje também. Aqui devemos destacar a importância da gestão de conteúdo na hora de pensar e construir a programação digital, para que ele não venha perder as oportunidades”, afirma.

A Rádio Galeria Rock: aplicação do aprendizado

Retomando a ideia da gestão de conteúdo, Edu Parez inicia um projeto para o lançamento da Rádio Galeria do Rock (http://galeriadorock.com.br/ ), inaugurada em no Dia Mundial do Rock do ano passado, 13 de julho.

A Galeria do Rock é uma referência cultural e turística dos amantes da cultura pop, do rock e afro do centro da cidade de São Paulo. O centro comercial foi inaugurado em 1963 no número 439 da Avenida São João, entre as ruas 24 de Maio e o Largo Paysandu, e realiza uma infinidade de atividades para os visitantes e incremento comercial.

A ideia da Rádio Galeria do Rock nasce como uma evolução deste contexto, segundo conta Edu Paz. “Com esta ideia surge a oportunidade, então, de se aplicar o conhecimento adquirido na Rádio Levi’s. Vamos conduzir a nova emissora web baseada em dois pilares centrais: conteúdo exclusivo e tecnologia tanto para produção quanto tomada de decisão”, revela o radialista.

“Esta é uma experiência de digital em outro patamar, porque, diferente da Rádio Levi’s, teremos novos recursos tecnológicos e centrada em algo novo, que naquela época não existia: a medição da audiência em tempo real e a monetização por meio de mecanismos modernos de entrega de publicidade em áudio segmentado”, explica.

Quanto ao conteúdo, a receita será a mesma, mas com melhorias e levando em conta a cultura da Galeria do Rock e a partir de uma programação que aproveita as oportunidades que o digital oferece, algo que o radiodifusor poderia aproveitar para as suas emissoras”, enfatiza ele. “Certamente, será uma grade que combina a programação linear de dial com a cultura do podcast”, afirma.

Além do Edu Parez, participam do projeto da Rádio Galeria do Rock:

– Babu Baía, Radialista, Produtor e Curador Musical;      

– Bruno Costa, do DA Bandnest, aplicativo de divulgação e curadoria de bandas nacionais;

– Camila Rondon, Studio Tesis, na parceria de conteúdo de podcasts;

– Marcone Moraes, Glauber Moraes e Silas Ogasawara, do Instituto Cultural Galeria do Rock;

– Marcos Chapeleta, site Ligado à Música;

– Thiago Fernandes, especialista em produtos digitais.

Nasce o Progcasting

As discussões na Rádio Galeria do Rock  sobre ideia de se combinar uma programação musical, jornalística e de entretenimento com a partir do podcast fez nascer uma nova terminologia: o progcast, que pode definir uma programação em podcast, não apenas em programas isolados sem qualquer conexão com o resto da grade da emissora. “Quem sugeriu esta terminologia foi o Babu Baía, o nosso cara de arte, (radio-artistic-designer) e que foi feliz ao traduzir esta nossa inquietude com o novo digital. Com isso, será possível criar uma nova gestão de rádio e esperamos que esta experiência se torne referência para todos os radiodifusores”, reafirma, confiante em estar propondo algo novo.

Se a Rádio Galeria do Rock não tem antena, Edu Parez entende que ela poderá ser inovadora e forte concorrente em pé de igualmente com qualquer outra emissora do dial ou digital, como a KISS FM, 89 FM, ALPHA, ANTENA1, por exemplo, e que já estão caminhando para o digital. Cada uma a seu modo, mas cientes que necessitam ver este novo universo diferente do que era a rádio via Internet no final dos anos 1990 do século passado”.

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